quarta-feira, 22 de outubro de 2014

domingo, 19 de outubro de 2014

Brisa

...mas era tão cedo e tão tarde
fiquei a olhar para o relógio
cruzei as pernas, olhei-te
pisei a ansiedade de correr para ti
tocar-te triste
húmida como a melancolia do tempo
dos guarda-chuvas que me ferem
os olhos perdidos
por entre a multidão,
lá ias tu
embrulhada numa trama
eu,
perdi-me de ti nos pensamentos...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Brancura

Uma manhã estranha,
guardado 
fica a brancura
e algum vestígio
empurrado pelo tempo
sim
o nu preconceito de não nos conhecermos
eu estava só e tu também

adivinhei-te
imaginei-te a nascente sem tabus
nem ruídos velozes
como a experiência de qualquer mortal que ignora a melodia da poesia,
mas

amar será sempre
uma certa forma de loucura
enquanto não for inventada
uma forma inquestionável e universal 
de normalidade...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



domingo, 12 de outubro de 2014

Novos elementos

Fico deste lado
corro a aventura 
da solidão perpétua
calma de tudo absorta de tudo
olho rios, pontes e barcos
pescadores, gaivotas e peixes exilados

mar
amo-o sempre
até no brilho da noite  
a perspectiva contorcida
de novos elementos 
e de cores 
tão estranhamente decoradas...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

sábado, 11 de outubro de 2014

Condição

Necessito da luz
fora das sombras alheias
baças
que me impeçam conhecimento
misterioso inesperado
como a melodia ouvida pela primeira vez
no obscuro pensamento


é ele quem me faz pensar
em renovação eterna

atómica 
da minha própria condição....

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Canto das Rosas


Ardo extinta
redescubro o fogo


no amor revestido
sempre 

a cor do desgosto
consoante a minha distracção

e,
 
o canto das rosas...

Ana Negrão Ferreira
 Divagações Nocturnas