segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Realidade intemporal

Os guardas do caminho
são corvos morcegos abutres
picam assustam devoram
e guardam
nós 
como qualquer mutilado
corremos assustados picados devorados
guardados

na desordem
procuramos uma vacina um antídoto
que acalme o nosso espanto
que acalme o nosso medo
que acalme até depois 
o nojo 
que os guardas do caminho
fizeram que tivessemos de nós
e o fim da história é sempre o mesmo

nós
quase sempre ateus
acabamos por acabar
cantando 
as tais aleluias...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas