quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ergo as taças desalinhadas

Esboço 
as lágrimas 
de sangue 
em traços rudimentares
percorro as linhas imaginárias
desconstruindo-as
em pedaços bastante largos
de rosa me mascaro
nos arremessos da alma
evocando a primavera
em cada laço
em cada sombra...
...ergo as taças desalinhadas
onde brindo
a desconexos sabores...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas


sábado, 25 de maio de 2013

Celebram as madrugadas

Se eu não trouxesse nas mãos
este frio de inverno cicatrizado
em promessas de beijos

Se não fosse já tão tarde em mim
para amanhecer ou ir ao purgatório
Se eu não amasse tanto a primavera
e
se em vez de não ser tudo como é
fosse só eu e tu
os loucos teimosos que a sangue frio
celebram as madrugadas
lúcidas e fúnebres
numa areia deserta
quente
movediça
que nos distrai o amor
fabuloso
inesperado...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Suspiro as rosas

Abandono-me à minha fúria
aos gemidos ardentes da voz
driblo a dor
suspiro as rosas
beijo o sonho
numa cupidez estranha

onde faço tudo
tudo o que me apetecer
de todos os amantes
no fim
basta só que me ames
com palavras de amar
e nada mais...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Caminhos...

"Guie uma criança pelo caminho que ela deve seguir e guie-se por ela de vez em quando."
(Josh Billings) - Com Salomé Negrão

Fogo das florestas

Incendeio no fogo das florestas velhas
essas bocas apodrecidas

paridas pela morte
onde os desafectos incorporados
renascem súbito
e lhes cerram os olhos
nas lâminas queimadas das palavras...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Arremessos da Alma

Esboço
as lágrimas
de sangue
em traços rudimentares
percorro as linhas imaginárias
desconstruindo-as
em pedaços bastante largos
de rosa me mascaro
nos arremessos da alma
evocando a primavera
em cada laço
em cada sombra...
...ergo as taças desalinhadas
onde brindo aos
desconexos sabores...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

 

domingo, 12 de maio de 2013

Universo

 

Alma vagabunda

Não me preocupa a preocupação
de me terem o fisíco aprisionado
o meu coração é inconstante

a minha alma vagabunda
e se o meu espírito
que orienta a minha vida
é de caminhos vagos incertos deambulantes
não será aparente a minha prisão
mas todos os dias amanhecem
até que o mundo desesperado
de novo adormeça
e
desate a fazer amor com a lua!



Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Em sal e Rochas

Conta tu mesmo sem medo nem vergonha
quantos fantasmas te assustam
as luas mortas sobre os mortos esquecidos
em sal e rochas
Conta tu mesmo quantas marés tem o desespero
nas sombras negras do teu cais
quantas preces quantos ais
deitados e afogados em vão
ao mar e à morte em solidão
Conta tu mesmo quantas madrugadas sem sol
a saberem a sal
quantas ausências o teu barco conserva ainda
presas para morrerem amanhã
mesmo assim
conta tu mesmo como um verdadeiro lobo do mar
o que houver para contar
antes que morras de fome
e esquecido neste universo de cor e palavras
que escolheste como fim...

Ana Negrão Ferreira


terça-feira, 7 de maio de 2013

Cruzei-me ontem

Cruzei-me ontem
sorri para o destino num cosmos alheio
vi queda suor lágrimas
um rio permanente iluminado
sem espaço
nem tempo para inaugurações
as noites despertam manhãs do dia
e dançam beijando
uma rota incerta
esse ávido desfolhar
quente
e descaradamente nu...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



Exposição Pintura/Poesia "Raras as Pontes"